A Umbanda completa 110 anos em meio a ataques e a queda no número de devotos

Ricardo Moraes/ Reutes Devoto de umbanda traz oferendas à Iemanjá na praia de Copacabana, no Rio de janeiro, Até hoje, a família de Zélio Fernandino de Moraes, não sabe explicar para algum problema de saúde, ele tem 17 anos. Só sabe dizer que, por vários dias, o estudante que sonhava em seguir carreira na Marinha e não conseguia nem sair da cama. Preocupada, sua família, uma das mais tradicionais de São Gonçalo, a 25 km do Rio, levou-o a inúmeros médicos. Nem o tio do menino, o psiquiatra Epaminondas de Moraes, quis arriscar um diagnóstico. O máximo que uma “rezadeira” falha ao aconselhá-lo a desenvolver sua mediunidade. Um dia, Zélio acordei de bom humor e aparentemente curada. Quando em dúvida, um amigo sugeriu uma visita à Federação Espírita do Estado do Rio, em Niterói. Era o dia 15 de novembro de 1908. Chegando lá, o médio José de Souza, que dirigia a sessão espírita kardecista, perguntou tirando alguns sentar em uma mesa. Em Um determinado momento, os espíritos de caboclos (indígenas ancestrais brasileiros) e pretos velhos (escravos africanos) começaram a se manifestar. Ao mesmo tempo, os policiais, alegando que eram espíritos “atrás”, ele pediu para se aposentar. Logo, Zélio foi incorporado por uma entidade que veio para a defesa dos outros: “Se não há espaço para os espíritos de pretos e índios, para cumprir sua missão, ele (o espírito) foi, já no dia seguinte, um novo culto na casa de Zélio”. A possibilidade cada vez mais real em termos de zoológico de animais extintos 114 anos, candidato a homem mais velho do mundo quer parar de fumar Quando perguntado seu nome, a entidade respondeu: “o Caboclo das Sete Encruzilhadas”. E, em seguida, ele acrescentou: “Para mim, nunca haverá caminhos fechados”. “Há muitas maneiras de definir um culto. O espiritismo abrasileirado é apenas um deles. A religião valorizado o papel de caboclos e pretos velhos como entidades espirituais”, explica o antropólogo Emerson Giumbelli, Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). No dia seguinte ao da sua primeira manifestação, de 16 de novembro de 1908, o Caboclo das Sete Encruzilhadas incorporar novamente Zélio de Moraes. Desta vez, para traçar as diretrizes da nova religião: vestir roupas brancas, usar guias de esferas coloridas, e, entre outras faculdades mediúnicas, priorizar a incorporação de espíritos.”Com aqueles que sabem mais, de aprender. Para aqueles que sabem menos, vamos ensinar-lhe. Mas, nenhum viraremos as costas”, teria dito, na ocasião, Zélio de Moraes. Por outro lado, proibiu o jogo de búzios, o uso de atabaques e sacrifícios de animais. “Um dos princípios básicos da umbanda é a de nunca fazer o mal. Isso inclui querendo algo que pertence a outra pessoa, interferir com o livre-arbítrio de terceiros ou cobrar por consultas ou atendimentos”, exemplifica Leonardo Cunha, bisneto de Zélio. ‘Psicólogo do pobre If o dia 15 de novembro entrou para a história como o Dia Nacional da Umbanda, a 16 de novembro foi marcado pela fundação do Tabernáculo Espiritual, Nossa Senhora da Misericórdia. A casa situada no número 30 da rua Floriano Peixoto, em Neves, São Gonçalo, eu mesmo não existe mais. Foi demolido em 2011. Hoje, trabalha em Cachoeiras de Macacu, a 97 km da capital, e, pelo menos uma vez por mês e atende a uma média de 120 pessoas. “A umbanda praticar a caridade e não cobra um centavo de ninguém. O preto velho é o psicólogo dos pobres”, diz Fátima Damas, presidente da Congregação Espírita Umbandista do Brasil. No Brasil, a liberdade de credo é garantido desde a primeira Constituição da República, de 1891. Mesmo assim, a intolerância religiosa não cessou de existir. O Código Penal de 1890, em vigor no ano em que o culto foi fundada, criminaliza a prática do educados africano. Por esta razão, a Tenda Espírita Nossa Senhora da Piedade foi um alvo constante de batidas policiais. “Meu avô enfrentou o preconceito até mesmo dentro de casa. Sua família era predominantemente católica romana”, diz a neta, Lygia Maria Cunha. Zélio de Moraes, levou a Tenda Espírita Nossa Senhora da Piedade, até 1946, quando passou o comando para as filhas, Zélia e Zilméa, agora falecido. Quando ele morreu, em 3 de outubro de 1975, Lygia, sua neta, tinha 38 anos, e Leonardo, seu bisneto, 11. O atual líder espiritual de Piedade, como a família refere-se à tenda na doutrina espírita, Lygia conta que seu avô não sabe nadar, e até mesmo uma piscina que eu estava com medo. No entanto, ao se incorporar a entidade Orixá Malet, foi capaz de entrar no mar e correr o risco de nadar entre as ondas fortes. “De areia, seguido de tudo, aterrorizado. Você já imaginou se a entidade decidiu deixá-lo antes de ser salvo e seguro na praia? Felizmente, isso nunca aconteceu”, diz ele. AdeptosO o atual presidente da Piedade, Leonardo Cunha, explica que o nome umbanda só veio muito tempo depois de sua fundação. Originalmente, o nome de culto era alahbanda – em homenagem à entidade Orixá Malet, que foi um muçulmano em sua encarnação anterior. De origem árabe, Alá ou de Alah significa Deus. Agora, “banda”, a palavra coloquial da língua portuguesa no século 15, é sinônimo de lado. “Rituais pode ser entendido como O lado de Deus ou Com Deus ao seu lado,” ele explica. De acordo com dados do Censo 2010, o número de umbanda no Brasil de hoje, 110 anos depois da sua fundação, vem para 432 mil. Uma queda de 20% em relação ao Censo de 1991. Para Fátima Damas, da Congregação Espírita Umbandista do Brasil, esses números não correspondem à realidade. “Muitos de criação de não admitir publicamente que eles são criação. Por medo ou vergonha, preferem dizer que são católicos”, ele explica. Os casos de intolerância religiosa, de acordo com o Departamento de Estado dos Direitos Humanos e de Políticas para as Mulheres e os Idosos (SEDHMI), aumento, apenas no Rio de Janeiro, 56% no primeiro trimestre de 2017. São 25 reclamações entre janeiro e abril, contra 16 no mesmo período do ano passado. Em alguns casos, vândalos depredam o quintal, destruir as imagens e fazer graffiti: “macumbeiros!”, “Não queremos macumba aqui!” e “Só Jesus expulsa o demônio das pessoas!”. Em outros, pais, mães, filhos e filhas de santo, são impedidos de usar branco, use guias e até mesmo cantando. “Um monte de religião para pouco devoto” Dados da secretaria de Direitos Humanos (SDH), órgão ligado ao Ministério dos Direitos Humanos (MDH), revelam que os ataques de umbanda e candomblé, entre outros, não estão restritos ao Rio de janeiro. Em 2011, o Disque 100 (Disque Direitos Humanos) estiveram presentes 15 casos. Em 2015, foram 556. Ano passado, saltou para 759. “Existe uma teologia que é dedicado para ganhar território ‘em Cristo’ e a cara de ‘inimigos’. Alguns identificam com esses inimigos entre os praticantes de religiões de elementos espirituais e compreender a metáfora de “guerra espiritual” no sentido literal da palavra,” analisa Giumbelli, UFRGS. Para o sociólogo Reginaldo Prandi, Universidade de São Paulo (USP), intolerância religiosa nasce do preconceito racial e acrescenta que “há um monte de religião para pouco devoto. Por essas e outras, algumas igrejas neopentecostais vêm impor metas de conversão de criação aos seus pastores”. Em quase 110 anos de fundação, a Tenda Espírita Nossa Senhora da piedade sofreu um único caso de vandalismo. Foi na década de 1980, quando um invasor, durante um surto psicótico, ele teria quebrado alguns dos santos e ateado fogo no quintal. As chamas não se espalhar. Para os dias 15 e 16 de novembro, Leonardo avisa a você que você não vai ter festa. No mais, bolo e champanhe. “Na umbanda, o espírito não desce para dançar, para baixo para o trabalho. A nossa vida só tem sentido quando nos colocamos à disposição de Deus para servir aos outros”, diz ele.